
















































África de braços abertos nos transportou para a sua original "forma de estar" , e para um bom começo, esperávamos as incompreensíveis borucracias da alfandega ,montes de papeis ,montes de assinaturas , o que transportava-mos , o que iríamos fazer? Tempo perdido para quem sabe o que esta por detrás do "pano" que se abria segundo a segundo para a nossa historia.
Nós estávamos ali para cumprir um objectivo, seria mesmo um objectivo ou mais um desejo de poder ficar ali como estávamos, para a vida toda , sempre a descobrir?Era hora de partir, abastecendo os tanques de combustível, para poder prosseguir viagem para a direcção ,sul de Marrocos.
Tomávamos então o rumo em direcção ao Atlas uma cadeia de montanhas no noroeste da África que se estende por 2400 km através do Marrocos, da Argélia e da Tunísia, e ainda inclui Gibraltar, era assim desta forma que íamos vendo de verdade a beleza Natural de algo tão espantoso e perfeito, acentuada pelo contraste do céu e da terra coberta por neve, que aumentava ainda mais o contraste e dessa forma uma beleza quase irreal, comunicávamos então por radio a "visão" que todos estávamos a ter, íamos equipados de rádios CB´s como item de segurança e também de anti- monotonia, tirando fotos íamos escaciando as palavras que conseguiriam descrever o que víamos. Lagos preenchiam buracos feitos no chão que brilhavam como visões no deserto através dos raios de sol que por nada eram impedidos de brilhar.
A Neve fez também parte da nossa viagem, já no Atlas, foi onde pudemos extrair as crianças que todos temos dentro de nós fazendo jogos com bolas de neve, e onde substituímos as nossas palavras que avaliam tamanha beleza por gritos de alegria e assim nos distrairmos a não pensar como é possível em África haver neve... longe do mito de que África é só pântanos... sim , também tem montanhas com neve e faz frio.
Os meios de transporte são de uma forma original umas simples carrinhas que transportam pessoas, parando sempre que se pede e que seja possível "carregar" de mais gente, sem haver paragens onde saibamos onde apanhar o respectivo transporte que numerado nos indica para onde podemos seguir, seremos nós tão organizados e pouco práticos ou eles práticos dentro de uma desorganização, na verdade eu prefiro como nós fazemos ate porque chama-se a isso regras de uma sociedade, e é bem mais prático. Imagino eu por uma semana em Marrocos ser instalado uma linha de metro como em Londres, o que seria que passaria por aquelas cabeças toda aquela organização para no fundo fazer o mesmo que se faz ali agarrando a primeira carrinha que se vê, fazendo a simples pergunta "Posso ir , para o lado norte?"
Foi nesse mesmo silencio que nos cruzamos com um grupo de franceses, tambem a disfrutarem da aventura de estar ali mas com um meio diferente, vinham de Paris em motos 4x4.Sao muitas as pessoas que se encontram ali desejando conquistar algo ou confrontando-se com elas proprias por nao saber porque onde nao ha nada , é o melhor lugar para estar.

Chegavamos assim ao ponto mais a Sul da nossa expediçao Zagora por onde iriamos seguir para Ouarzazate( de onde estava como plano ser a cidade, objectivo), e era com grande contentamento que diziamos " metade ja esta" e as mesmas palavras se faziam soar vezes sem conta "Isto tem sido Fantastico, e as nossas maquinas conseguiram chegar ate aqui, isto é lindo".
E onde tambem fizemos as nossas compras de lembranças para ofereçer, giro é o aspecto de como se negoceia em marrocos, parece-me um ritual, procura-se o que se quer e sentamo-nos com uma caneta e um papel para nós e para o vendedor para colocarmos entao o nosso preço e ele o dele, nunca de forma alguma eles ficam satisfeitos quando se faz aceitar o preço certo dito por ele logo a primeira, gostam que se negoceie, é uma forma de demonstrar o apreço por aquilo que se vende.
Seguiamos para Marrakesh, mais uma vez entao, fora de estrada. Tinhamos pela frente uma das "pistas" mais puras para o Todo Terreno dentro da nossa expediçao, nao só no grau de dificuldade mas tambem na organizaçao que tinhamos de improvisar para numa estrada unica onde so cabia um carro, termos de arranjar espaço para outros carros que vinham em sentidos diferentes ao da nossa caravana, era onde se perdia mais tempo, e para uma caravana, por questoes eticas e de segurança, se manter unida, frente aquelas diversidades, nao é algo facil.
Tambem uma "pista" que passava por povoaçoes que o tempo nao parecia querer levar consigo, de certo era a mesma forma de vida que se podia encontrar á centenas de anos atras. Para aquelas povoaçoes so sentiam o tempo mover-se atraves dos turistas e das tecnologias que acompanham os mesmos, se nao fosse isso arriscariam a ter um choque cultural, se um dia, apos tantos anos, passassemos nós ali com os nossos carros cheios de tecnologia.
Mas uma alegria juntamente com uma forma natural de "pedinchar" , naquelas crianças que acompanhavam a caravana, durante quilometros, dava uma cor natural aquelas povoaçoes.Os seus acenos faziam com que nos distraissemos a agradecer aquelas crianças todas.
Eramos obrigados a parar a meio do percurso devido a um arranjo no meio da via, havia obras na estrada, tres homens que olhavam e um que com uma pá tapava um buraco. Parecia ser tao ridiculo aquela prestaçao daqueles homens perante uma estrada cheia de buracos onde era limitado o acesso a veiculos que nao fossem Todo Terreno, mas a caravana assim respeitava por meia hora aquela "barricada" de homens que faziam o seu trabalho.
As casas de cor terrea ,que se confundiam com a terra, eram assim coloridas por tapetes que secavam ao sol, dando cores variadas com o brilhar do sol nos tecidos.