1ª etapa--- lisboa chefchaouen (1 dia)
3ª etapa--- merzuga zagora (pista) (2 dias)
6ª etapa--- rabat ceuta (1 dia)
Na realidade não me posso queixar pois..... pago 10% do que essas pessoas estão a pagar.
E afinal o gozo que isto dá.... é assim que gosto de viajar, à "boleia".
...Bolas o tempo não passa, de repente deparo-me que la fora ficou escuro, ainda a 10 minutos estava um sol fortissimo, fico triste pois esperava ja ver o Kilimanjaro da janela do avião, faltavam duas horas para chegar ao aeroporto Kilimanjaro, de voo ja vão 7 horas.
Finalmente chegamos ao aeroporto internacional Kilimanjaro, uma temperatura quente e o cheiro caracteristico de Africa , a terra e a agua.
Penso eu como será agora para adquirir o visto, lembrei-me do que tinha de passar em Ceuta para entrar em Marrocos para adquirir um visto.
Para meu espanto tudo corre bem e depressa , uns senhores com uma mascara branca na cara e bata branca entregavam os papeis ,sobre a H1N1, para preencher , no mesmo lado a policia sem mascara entregava os documentos para o visto, não dá para perceber, então só metade se protege? , mas enfim estava em Africa e tudo era possível.
Depois de ter pago 50 USD pelo visto chegava a hora de saber toda a verdade , teriam vindo as malas ou não?
Dirigi-me a um tapete e procurei, procurei e nada, começava a ficar preocupado, pois todo o equipamento estava lá, eu só tinha uma mochila com uns bens essenciais para passar a noite em Amesterdão.
Quando olho para um tapete que estava ao lado lá vejo a minha mala e a do meu amigo Carlitos.
A primeira parte da expedição estava concluida, faltava ver agora o que fazer.
Depois de umas trocas de mail há uns anos atrás com o Moses da Tanzania, guia de montanha, decidi enviar-lhe um mail a dizer que ia lá estar.
Pois lá estava Moses na porta de desembarque com o meu nome escrito e Moses Gideon por cima. Afinal não era ele, era um socio dele, ele aparece logo a seguir todo contente, abraça-nos e diz "Amigos".
Depois de combinado na noite anterior, esta era a manhã de fazer negocio para subir o Kilimanjaro, uma vez que é uma montanha em que é obrigatório ter guia .
Depois de muito debate, sério que foi muito debate, decidimos que íamos subir pela rota Machame em sete dias, já incluído o dia extra, o dia que podemos comprar para uma melhor aclimatização, por 1150 dolares americanos cada um, para mim um exagero para a maioria dos turistas uma bagatela. Negócio fechado, era a hora de começar a preparar o material, dividir a carga pelas mochilas, a minha ideia é carregar o máximo possivel das minhas coisas, o que entendo por subir uma montanha é eu levar-me lá acima com o que tenho de levar para sobreviver, embora esteja a viver uma ilusão pois levo guias, carregadores e um cozinheiro, eles vão carregar o meu saco cama e o colchão, o resto levo eu. Com tudo pronto é hora de relaxar e esperar pelo dia da subida.
Fomos então passear até Moshi com o Frank o rapaz do green hostel .
Foi-nos mostrar a cidade e foi-nos apresentar o seu tio que trabalha com diamantes, mostrou-nos o diamante da Tanzânia o tanzanite, uma pedra azul muito bonita.
Estávamos com fome, mas o problema da água fez com que decidíssemos ir ao supermercado comprar batatas fritas, bolachas e sumo. Os preços variam entre uma média normal de preços nos produtos nacionais(tanzânia) e uma inflacção de 300% nos produtos internacionais, um abuso.
Comemos à porta do supermercado e fomos visitar a parte mais rica da cidade, uma estrada de areia e algum alcatrão pelo meio cheio de buracos e flores nas suas bermas.
Umas enormes casas com seguranças, completamente desabitadas...
17 horas, vamos dar mais uma volta pela cidade, agora já só eu e o meu amigo Carlitos, desta vez deparo-me com a vista do cume do Kilimanjaro, para meu espanto e alegria com neve.
Tive uma sensação extraordinária ao olhar para aquela montanha ao vivo, tão perto dela....
Estamos à espera do jantar que pedimos ao Walter, um dos empregados do hotel, arroz com ovos mexidos, nada de complicado para não ficar a comida toda no prato.
De seguida para fazer a digestão vou ver o meu amigo fazer a mala para amanhã.
...
Esqueci-me de dizer o que senti no passeio antes do jantar... Senti que estava limpo demais para estar em África, naquela terra, não sentia fazer parte da terra, foi então que peguei em terra com a mão e com aquela terra vermelha na palma da mão disse "Vês Carlos, sente esta terra!"
Mas é na realidade onde me sinto bem, com o cheiro a "madeira a queimar", o cheiro das flores que ainda existem, do vento que vem da floresta, é aqui que estou e gosto de estar, é este o cheiro a África.
20-09-09
O jantar de ontem estava fantástico para espanto dos dois, ficámos de voltar para repetir uma refeiçao feita pela senhora do Green hostel, fizémos uns últimos preparativos e lá fomos dormir.
Acordo às 07.30 da manhã e chove muito, penso, é a montanha a reagir, temos de a respeitar.
Estou a duas horas de começar, nem quero acreditar, nem mesmo a chuva me perturba o pensamento de que vou subir aquela montanha.
Entretanto Moses com a sua pontualidade africana justifica o atraso de 45 min com uma inundação num buraco no meio da estrada, não estranhei, pois os buracos são tão grandes que cabem lá três carros...
Já estou neste momento na tenda, o Carlitos está a preparar o seu estaminé...
Hoje foi um dia bestial , subimos até aos 3000 metros "Machame camp" em 3 horas e meia estava previsto fazê-lo em 5 horas.
Hoje não me apetece escrever!
Sinto-me bem mesmo a 3000 metros, a caminhada foi dura pois foram três horas e meia a carregar com a minha mochila, todos os outros carregavam os mínimos, eu decidi que até onde conseguir carregarei as minhas coisas todas .
E foi assim que cheguei a Machame camp muito feliz por ter conseguido.
Há quem só fique feliz por chegar ao cume, eu não sinto o mesmo.
Na última hora acompanhamos uma holandesa, o que nos fez passar o tempo mais rapido, falamos sobre pressões barométricas. Bom, amanhã volto a escrever, preciso de descansar...
21-09-09
Shira camp, chegamos às 12.25 aos 3800 metros, para mim o ar ainda me parece igual ao do nivel do mar, enquanto estou em repouso ou a andar devagar, caso acelere nota-se a ausência de oxigenio.
O caminho até aqui foi muito difícil, curto mas muito inclinado e com subida técnica de rocha, para a carga que levo torna-se muito dificil.
Amanhã estou a pensar levar uma mochila leve pois é dia de aclimatização, iremos até aos 4800 metros e voltaremos para baixo, no dia seguinte seguirei com a minha mochila carregada de novo.
Eu estou um pouco desiludido com isto de subir uma montanha e haver pessoas tal como eu que chegam ao acampamento e têm a tenda montada e comida feita, mas é mesmo assim, é a oportunidade de os locais fazerem dinheiro.
Hoje vinha a caminhar de machame camp para shira camp quando me deparo com um enorme grupo parado a meio do percurso de 9 km, a ver os seus carregadores montarem umas tendas enormes de campo base só para "os senhores" almoçarem, surpreendente não quererem sentir a montanha, quando chegamos ao shira camp passadas umas duas horas lá estavam os carregadores a montarem as tendas novamente.
Bom.. não me admira, eu não tenho nada disso mas paguei 700 euros e eles pagaram 6000 euros, cada um, pois cada um sabe de si mesmo, embora as facilidades para mim não sejam muitas pois estou sentado numa pedra ao vento, enquanto uns franceses ao meu lado estão numa tenda-messe a comer e a beber. Não era isto que queria, ter uns carregadores a fazerem tudo, eu até tenho tempo para escrever :) !
A vista daqui é deslumbrante, as núvens sobre as montanhas montam um espectáculo surreal, o ambiente é um pouco estranho, casas de banho de madeira com buracos abertos para o chão deixam escapar o mau cheiro, mas vale a pena por tudo isto.
É a minha primeira vez a 3800, um recorde pessoal, mas sinto-me bem para tentar os 4880 metros e seguir para o próximo acampamento a 3900 metros.
22-09-09
Hoje li a mensagem das duas minhas queridas amigas que estão aqui comigo no meu pensamento.
Bom hoje o meu dia correu bem, o ser humano não foi feito para viver em altitude, subi devagar ate Lava Tower para aclimatizar 4800 metros, estivémos lá meia hora e descemos para os 3900 metros onde acampámos em Barranco camp.
O problema é que na primeira noite dormi duas horas e na segunda dormi uma hora, talvez por causa da euforia dentro de mim sobre a montanha, ou talvez sintomas da falta de oxigenio, hoje foi o dia mais dificil e ressenti... vou jantar volto já.
São 18.30 hora local, de volta do jantar (arroz com ervilhas e carne com legumes), com sabor a NIDO...
Bom estava eu a dizer que tinha sido o dia mais dificil, pois a falta de descanso associada a falta de dormida, veio a fazer-se sentir na descida onde me faltou a força nas pernas e a cabeça a latejar a parecer que ia rebentar.
A montanha está a reagir contra todos estes aventureiros que nela exploram as suas próprias capacidades humanas, e ela não faz nada de ânimo leve.
Hoje estive a falar com o MIKE o nosso guia principal, ele disse-me que o dia do cume é o mais dificil, partimos à meia noite porque é quando há mais oxigénio disponivel, e porque assim as pessoas não vêem quanto falta para chegar lá acima .
Amanhã vamos fazer um treking até aos 4200 metros, vai-nos fazer criar mais glóbulos vermelhos para o dia do cume a 5895 metros de altitude.
23-09-09
Hoje fomos dos 3600 metros para os 4000 metros para dormir .
Estamos aclimatizados, a caminhada correu bem, embora o grau de dificuldade fosse elevado, uma subida inicial muito acentuada, mas notou-se a reacção do corpo, estava aclimatizado.
Já tenho apetite e a cabeça já não doi .
Nós ficamos pelos 4000 metros enquanto outras pessoas seguem para os 4800 metros.
Para mim as probabilidades de conseguirem o cume diminuem, pois ainda têm duas horas e meia de caminhada e na mesma noite a que chegam aos 4800 metros, à meia noite atacam o cume.
Eu prefiro ficar nos 4000 metros a dormir, acordar cedo e às 11 horas da manhã chegar ao acampamento e descansar o dia todo.
São 100 dólares de diferença, para ficar mais um dia a aclimatar, mas as probabilidades são maiores.
Hoje o cenário do caminho até ao acampamento dos 4800 metros parecia um filme de ficção científica, o nevoeiro que nos tirava a noção de profundidade fazia parecer isso mesmo.
A consecutiva arrumação das coisas, das malas e tenda, já faz parte da rotina, embora para mim, volto a dizer, subir uma montanha não é isto, só os estou a acompanhar (carregadores) a ir lá acima, os carregadores e o cozinheiro tratam de tudo, nós só precisamos de estar bem e caminhar, isto não é subir uma montanha!
Estou a aproveitar isto para uma experiência unica na minha vida e talvez proseguir por outras montanhas, mas isso depende de como acabar este diário ;).
Ver os carregadores subirem a montanha, carregados de tudo o que podem, com um máximo de 20 kg, carregados até à cabeça, faz com que pareçamos uns insignificantes montanhistas.
Estou agora no saco cama a escrever, aqui anoitece às 18.30 e amanhece às 7.00, estou a fazer tempo, pois jantei agora, o meu amigo Carlitos é que não jantou, pois sente uma certa prisão no estomago, eu pelo contrário comi o meu e o dele, estou a reagir bem à altitude para minha felicidade, mas amanhã será o desafio final, depois deste esforço diario intenso, o cume.
Agora é dificil aceitar não fazê-lo, passa-se por muita coisa para chegar aqui... ahhh e já me habituei às casas de banho!!! :)
O acampamento é dentro de nuvens, não se vê um metro à frente, espero ansioso pela manhã para ver a imagem imponente do KIBO (uhuro peak). Entretanto espreito a meio da noite.... sem palavras para descrever....
Como sempre de manhã o céu está limpo.
As tendas estão cheias de gelo, a tarde é passada na tenda, a descansar, a ler e a ouvir a chuva a cair sobre a tenda.
24-09-09
Hoje estamos acampados a 4800 metros, perto do track para o pico, último acampamento antes do cume.
Fazemos os últimos preparativos para o ataque ao cume que será à meia noite.
Eu durmo vestido, preparado, é só calçar as botas.
A ansiedade misturada com o cansaço começa a reagir, a espera pela meia noite começa a desgastar.
As pessoas no acampamento descansam e fazem os ultimos preparativos, é um momento de nervosismo para todos.
É meia noite , vamos subir!!!
Está muito frio, os termómetros medem 20 graus negativos, mas é agora.
Já se vêem luzes a subir a montanha, são os frontais que iluminam o caminho, parecendo mineiros em fila percorrendo as vias das minas .
26-09-09
São 18 horas, estou já no green hostel novamente, bem acomodado e banho tomado.
Vou escrever agora o que foi a minha subida ao Uhuru Peak depois daquela meia noite. (vou descrever em tempo real)
Uhuru Peak
É meia noite, saimos da tenda, já se vê uma fila de pessoas a seguir caminho para o cume.
Nós comemos agora umas bolachas e bebemos um chá, na realidade não tenho vontade de comer nada, o nervosismo misturado com a vontade de ir lá acima fazem com que rapidamente tiremos uma foto à porta da tenda e nos façamos ao caminho.
Frontais ligados, aí vamos nós, mais o Mike e o Menasi.
O frio é sustentavel, tudo parece normal, é só começar a subir, prevê-se que cheguemos lá acima por volta das 8.30 da manhã.
Subimos a um ritmo lento, mas um pouco mais rápido que um grupo de ingleses, são aí uns dez que seguem rumo ao cume.
A inclinaçao é de uns 70 % e vai dos 4800 metros aos 5800 metros para o Stella Point.
Ou seja, uma dificuldade enorme para quem nunca esteve àquela altitude, somada ao frio e aos ventos fortes que se fizeram sentir na face norte da montanha. Mas lá seguimos nós a nossa subida.
A minha respiração estava agora ofegante, e o frio não ajudava na respiração, estava a ter os primeiros sintomas de estar àquela altitude, um passo dois ciclos de respiração, assim sucessivamente.
Até que paramos pela primeira vez a uns 4900 metros, numa subida que leva 6 horas parámos na primeira hora, ou seja um mau rendimento para o que tinhamos ainda pela frente, isso levou com que tivessemos de gerir melhor a nossa velocidade de ascenção.
A sensação que eu tinha era que só queria dormir, que estranho, mas era o corpo a querer fazer reset.
Quando arrancámos deparo-me com um problema , na paragem os dedos dos pés gelaram, o que me fez pensar quem em toda a subida era impossivel parar por 5 minutos que fossem, o que numa subida de 70% para se fazer em 6 horas era de loucos.
Mas estava determinado, custasse o que custasse, é em frente que vamos eu e o meu amigo Carlitos.
A vontade de encostar e dormir tomava cada vez uma maior dimensao, mas sabia que se o fizesse as coisas poderiam se tornar num terror, poderia eu ficar numa situaçao de nao puder ir para cima nem para baixo, e aquela altitude é dificil sermos ajudados.
Começei entao a contar os passos de um a dez, mas era preciso tanto tempo para chegar a dez que diminui a contagem para cinco.
E assim andei mais uma hora a contar passos, para vencer a ideia de que nao sou capaz.
Aos 5000 metros cumprimentei a mao do Carlitos como forma de festejo, estavamos no ponto mais alto das nossas vidas, nao nos dava para maiores festas.
A subida começa a complicar, alem dos 70% de inclinaçao existem rochas como obstaculos para untrapassar, aquela altitude é muito dificil determinar o quê, e como se deve fazer qualquer movimento, entao são feitos com muito esforço.
Uma coisa que estou habituadissimo a faze-lo que é trespassar rochas durante as caminhadas , que até dão algum interesse numa caminhada...Mas aquelas, meu deus! Pareciam predios em ruas que estavámos a passear e tinhamos de os passar subindo por cima deles.
Alem dos 20 graus negativos celcius o vento forte que se fazia sentir começa a dificultar ainda mais a respiraçao.
O olhar para cima era um desespero, a subida era tao inclinada e tao extensa que se confundiam as luzes dos frontais com as das estrelas, decidi nao olhar mais para cima...
Eu perco ai uma hora a habituar-me á balaclava, pois com a balaclava a tapar a boca , nos primeiros ciclos de respiraçao "ofogava-me" , ou seja tem de se fazer mais força para entrar a mesma quantidade de oxigenio que estamos habituados ao nivel do mar(associado a altitude) , lá depois arranjava um ritmo para uma nova forma de respirar.
Ao mesmo tempo a diferença de temperatura entre a respiraçao e os 20 graus negativos provocavam uma condensaçao o que fazia congelar a boca e dificultava a respiraçao.
E andei uma hora nisto, tira e poe a balaclava da boca...O cansaço era já muito por esta altura e as tonturas começavam a ter lugar nas atitudes durante a subida.
No entanto parei de beber agua , pois o bocal por onde se bebe a agua (camel back) congelou, o que viria a pagar caro mais tarde...
Fazemos uma outra paragem de um minuto , o que nao é nada , mas ali deu para congelar os joelhos e os pés, quando o Mike nos diz que ainda nao tinhamos chegado a meio, e já iamos com duas horas e meia de "sofrimento".
O Carlitos parecia-me estar bem, estava melhor do que eu, ao contrario dos outros dias , mas eu tinha de seguir caminho , faltavam 700 metros qualquer coisa como três horas e meia de subida .
O corpo pedia para parar e o cerebro a decidir andar , isto sinonimo de sofrimento.
Passou-me tanta vez pela cabeça não conseguir, estava nos meus limites , o meu organismo gritava, PÁRA!!!!!, mas o cerebro dizia " vá lá , so mais um passo e voltas para tras, so mais um passo e voltas para trás....."
Já nao sentia os pés estavam gelados, o que era sinonimo de má circulaçao, agora é que nao podia mesmo parar era chegar lá acima ou voltar para trás.
Esta luta psicologica foi salva pelo nascer do sol , uma vista tao bela que me soprou a energia que o meu corpo necessitava .
É por isso que penso e agora consegui comprovar a mim mesmo , e era isso que eu queria desta montanha , que é do psicológico que decidimos viver, é ele que nos direciona para o que queremos ser , é por isso que quando fazemos algo que gostamos ultrapassamos os nossos limites.
E foi aquela imagem que me fez continuar.
Quando derrepente o meu guia me diz " Olha , stella Point"
Pensei, consegui , depois de todo aquela luta consegui!!
Mas estava "atacado" pelo mal de montanha...
Quando o Mike , um dos guias , me diz que nos quer levar mesmo ao uhuro peak, abraço-o e vêem-me as lagrimas aos olhos , e assim começei a andar em direçao ao pico, passo a passo ia avançando , estávamos ainda a uns 40 minutos do uhuro peak, mas as imagens dos glaciares e de toda aquela beleza a volta do kilimanjaro , fez parecer uns 15 miniutos.
Quando derrepente o Mike me diz, rogerio vais tirar uma foto e vais rapidamente para baixo , foi ai que percebi que estava atacado .
Tirei a fotografia no ponto mais alto de Africa e segui para baixo de "Ambulancia", ambulancia esta que nao é nada mais nada menos do que correr ao lado do guia , olhando para os pes dele e seguindo-o montanha abaixo, para que com o aumento de oxigenio melhoremos o nosso bem estar em relaçao ao mal de montanha.
Parecia nunca mais acabar aquele regresso ao acampamento, todo aquele pó que faziamos a correr montanha abaixo parecia sorreal.
Mas na descida vinha a pensar , Kilimanjaro, finalmente te conquistei! ( ou teria eu me conquistado a mim mesmo...)
E foi assim que cheguei á tenda e adormeci , eram 9 da manha , iamos ficar naquele acampamento duas horas para depois seguirmos para os 3800 metros.
Para mim o pico foi no Stella point, um verdadeiro pico de uma montanha , mais a frente o uhuro peak desiludiu-me , pois a quantidade de gente á espera para tirar uma foto no ponto mais alto de Africa , fez com que parecesse um ponto turistico, como um Cabo da roca ( ponto mais ocidental da europa), mas na realidade nao é para todos ...
Mas estava contente , afinal tinha conseguido chegar ao uhuro peak, uma historia de 3 anos a tentar...
Passada uma hora no acampamento aparece o Carlitos, perguntou-me logo como estava e deitou-se na tenda, assim que ouviu "sim" adormeceu.
Passadas as duas horas de acampamento o Joshua o cozinheiro diz-nos que tinhamos de partir.
Eu estava de rastos pois tinha sido a noite toda a andar ao frio e agora tinha de andar mais 4 horas e meia até ao acampamento a 3800 metros, onde chegamos quase mortos.
Tambem uns dos guias da equipa da Africa do sul sentiu-se mal e teve de ter apoios medicos , e ser "resgatado" para o hospital.
26-09-09
Chegamos á porta de saida do Kilimanjaro, havia uma mistura de felicidade por ter feito o cume e uma vontade de voltar para casa.
Uma realidade um pouco dura para quem sobe a montanha, subimos todos a mesma montanha e nós turistas somos certificados com um diploma que nada consegue justificar na realidade se chegamos lá acima , nao há ninguem que se certifica ao certo se ralmente chegamos lá acima, somente o guia, mas muitos dizem que o seu grupo chega la acima para simplesmente terem a maior taxa de sucesso para posteriores grupos tentarem com eles.
Chegamos ao hotel, parecia que estava a chegar a casa , que aquela era a minha casa de sempre, pois ja la tinhamos estado e fomos muito bem recebidos com mais um dos maravilhosos pratos da senhora do hotel.
O regresso a casa fez-se como sempre se faz depois de uma aventura destas ..... "QUAL SERÁ A PRÓXIMA???"
Equipa :
Guide - Mike
Assistant- Menasi
Cooker- Joshua
Porter -Joseph
Porter- Juma
Porter - Selastaili
Rota---Distancias
Machame gate to machame camp- 15 km
Machame camp to shira - 7 km
Shira camp to baranco camp- 13km
Baranco camp to Karanga camp- 6 km
Karanga camp to barafu camp - 7 km
Barafu camp to summit- 7 km
Summit to barafu camp- 7 km
Barafu camp to mweka camp- 10 km
Mweka camp to mweca gate- 7 km
*percursos directos, nao me lembro bem quais os que tive de fazer duas vezes devido a aclimatizaçao.