quarta-feira, 19 de março de 2008

Lisboa-Ouarzazate


Foi aqui que parti para um desconhecido, uma terra tão próxima de nós, que me fez viver uma aventura inesquecível e que me provocou sensações únicas, acompanhado de alguns já mais experientes!
Foi através do Samuraiclub que senti e deslumbrei momentos para recordar!
Era aqui que se mostravam as caras de felicidade e desejo de poder desvendar o mistério da nossa expedição, também a vontade de que, com os "Suzukis", pudéssemos dizer "Estivemos lá".
Sabíamos o que tínhamos de passar para "conquistar" aqueles quilómetros todos de terras saturadas de formas Naturais e costumes estranhos á nossa forma de viver.
Era aqui que tudo começava.....



Uma ultima verificação feita nos carros fazia o titulo de um livro com uma historia por escrever...E assim Lisboa se despedia esperando ansiosamente o que estes aventureiros Portugueses trariam para contar.....



Já em Algeciras , uma cidade portuária do sul de Espanha, na província de Cádiz, comunidade autónoma da Andaluzia, utilizávamos a via marítima para transportar-nos para um Novo mundo ,África, o segundo continente mais populoso da Terra , e que desta forma transportava por "braços" o nosso cenário de aventura, Marrocos!





Ordenadamente, ainda ocidental, iam os nossos Suzukis....


A viagem de barco conquistava as nossas duvidas quanto a terra de grande riqueza, tanto física como psicológica, mas os ânimos estavam acima de tudo atestados de energia positiva.
Tínhamos do nosso lado o sangue Português de conquistadores de terras por onde não havia historia escrita....



África de braços abertos nos transportou para a sua original "forma de estar" , e para um bom começo, esperávamos as incompreensíveis borucracias da alfandega ,montes de papeis ,montes de assinaturas , o que transportava-mos , o que iríamos fazer? Tempo perdido para quem sabe o que esta por detrás do "pano" que se abria segundo a segundo para a nossa historia.


Assim abríamos os primeiros quilómetros denunciando as nossas origens, sentindo o "cheiro" a África que se entranhava na nossas duvidas e acompanhava o cenário natural que este continente só esconde a quem não acredita ser uma terra para não esquecer.


Ao mesmo tempo que íamos querendo descobrir, janelas eram abertas com duvidas que se punham a nossa frente e que desapareciam com o percurso solar....Do que aquela gente vivia, a que horas seria a hora de "ponta" , se é que deixariam de trabalhar por ser de noite, ou seria que alguma vez tinham começado a trabalhar? Todas essas duvidas eram expostas com imagens que se colocavam a nossa frente.
Após uma longa e cansativa viagem desde Lisboa parámos para descansar em chefchaouen, uma terra de Pedra e de sorrisos, uma terra de produtores de cannabis, uma cidade no paraíso que a Natureza cuida com azuis e brancos, uma imagem de uma real testemunha, de que a harmonia nos acenta na perfeição no nosso bem estar e aprendizagem...Tínhamos conquistado assim o nosso primeiro ponto de satisfação pessoal, já tínhamos levado ate ali os nossos Suzukis.

Após recuperarmos as energias, embora cansados, sentíamo-nos muito motivados por querer saber o que viria a seguir. A aventura estava no inicio, a satisfação fazia-se sentir nos nossos rostos. Um deslumbrar na temperatura das cores que se faziam ver através de um sol que não se intimidava em furar aquelas montanhas, fazia com que o cenário que nos acompanhava parecesse encenado por Deus.... eu se tivesse que imaginar a imagem que gostava de ver ali em África não seria de longe nem de perto aquela decerto, a minha imaginação sobre este continente não chegava aos calcanhares das imagens que vi. Pontes que atravessam rios, prados que fazem delinear a estrada, pessoas tão amáveis que se comprometem a não deixar apagar uma fogueira uma noite inteira, um povo que conquista a nossa atenção pelo espanto com que nos olham.... não sabendo se é por estarmos ali, se é por querer saber porque estamos ali, locais onde nos deitávamos sozinhos e acordávamos rodeados de gente que queria perceber o que faríamos a seguir, para onde íamos.



Nós estávamos ali para cumprir um objectivo, seria mesmo um objectivo ou mais um desejo de poder ficar ali como estávamos, para a vida toda , sempre a descobrir?Era hora de partir, abastecendo os tanques de combustível, para poder prosseguir viagem para a direcção ,sul de Marrocos.





Assim continuava a nossa expedição, íamos conquistando desta forma a nossa confiança e também o nosso avontade naquele pais com tão poucos recursos , mas com uma indeterminável beleza Natural que se confundia com a nossa vontade de descobrir e poder contar aos que não foram a viagem...Dessa forma íamos tirando fotografias para um dia recordar todos aqueles momentos que não queríamos esquecer de certo.



Tomávamos então o rumo em direcção ao Atlas uma cadeia de montanhas no noroeste da África que se estende por 2400 km através do Marrocos, da Argélia e da Tunísia, e ainda inclui Gibraltar, era assim desta forma que íamos vendo de verdade a beleza Natural de algo tão espantoso e perfeito, acentuada pelo contraste do céu e da terra coberta por neve, que aumentava ainda mais o contraste e dessa forma uma beleza quase irreal, comunicávamos então por radio a "visão" que todos estávamos a ter, íamos equipados de rádios CB´s como item de segurança e também de anti- monotonia, tirando fotos íamos escaciando as palavras que conseguiriam descrever o que víamos. Lagos preenchiam buracos feitos no chão que brilhavam como visões no deserto através dos raios de sol que por nada eram impedidos de brilhar.


Casas que se "perdem" na terra pelas suas construções de areia igual aos próprios pisos onde são construídas, não deixam que se revele a sua presença dando só e unicamente cor a essas aldeias as pessoas e animais que nelas vivem. Tomando o céu uma proporçao de cores que deixam a imagem visível uma rara beleza, algo que se fica a espera ate ao ultimo momento, algo que precisa de ser fotografado por jamais algumas palavras o descreverá...





Mas nada nos poderia fazer parar, tínhamos uma "corrida" contra o tempo, tínhamos ainda 3500 quilómetros por percorrer, mas era difícil não poder fazer parte de toda aquela beleza natural que se dispunha a todos aqueles que a admiravam, mas no nosso caminho, entre alguns contra tempos, tínhamos outras belezas, Naturais também, por desvendar.
Dormíamos, onde a caravana, por motivos de cansaço ou de outras forças maiores ficasse, tive os melhores amanheceres da minha vida, uma espécie de troféus concebidos por um desconhecer total de onde parávamos para o tão merecido repouso dos aventureiros, isso provocado por efeitos de querer descobrir sem parar, éramos vencidos pelo cansaço, e "obrigados" por essa mesma força natural a ficar onde parávamos, sendo por essa altura já noite cerrada, o que fazia com que o acordar fosse uma surpresa pessoal para os nossos olhares indiscretos de tanta beleza.Crianças assistiam ao nosso despertar, aquelas crianças que deveriam estar a brincar com aquelas idades, a fazer as suas traquinices, a serem chamadas para ir comer, que já estava a refeição na mesa, para depois lavarem os seus dentes e voltar a suas brincadeiras só entendidas por tais... mas as suas imagens e olhares era o puro desvendar de tamanha pobreza que vivem estas pessoas num pais onde os pobres são mesmo pobres.



A nossa expedição servia também de "consolo" a crianças abandonadas pelo destino, crianças que pediam sem pedir através de olhares esquecidos e secos pelo tempo, as suas peles demonstravam o quanto dura era a sua estadia por aqueles desertos esquecidos, apenas tendo importância uma vez por ano, por uma das provas mais ridículas, em que os pilotos fazem mostrar uma resistência por entre aqueles desertos, com tudo a que têm direito, será isso uma prova de resistência? Será certo usar milhares de contos só para passar ali numa prova de "Titans", perto daquela gente que só pede um carinho?



A Neve fez também parte da nossa viagem, já no Atlas, foi onde pudemos extrair as crianças que todos temos dentro de nós fazendo jogos com bolas de neve, e onde substituímos as nossas palavras que avaliam tamanha beleza por gritos de alegria e assim nos distrairmos a não pensar como é possível em África haver neve... longe do mito de que África é só pântanos... sim , também tem montanhas com neve e faz frio.



Os meios de transporte são de uma forma original umas simples carrinhas que transportam pessoas, parando sempre que se pede e que seja possível "carregar" de mais gente, sem haver paragens onde saibamos onde apanhar o respectivo transporte que numerado nos indica para onde podemos seguir, seremos nós tão organizados e pouco práticos ou eles práticos dentro de uma desorganização, na verdade eu prefiro como nós fazemos ate porque chama-se a isso regras de uma sociedade, e é bem mais prático. Imagino eu por uma semana em Marrocos ser instalado uma linha de metro como em Londres, o que seria que passaria por aquelas cabeças toda aquela organização para no fundo fazer o mesmo que se faz ali agarrando a primeira carrinha que se vê, fazendo a simples pergunta "Posso ir , para o lado norte?"

A caravana seguia assim para um deserto inóspito, onde entre a terra e o céu o ar era apenas ocupado por pó, pó esse que pareciam véus de noiva de cada um dos carros que passava, era assim que o sol nos deixava a visão do pó, no entanto para onde se olhava durante quilómetros, simplesmente se via pó e mais pó... E no meio desse pó era ainda possível ver solitárias presenças que do nada apontavam a chegada, apontando em direcção aos pés, numa forma de pedido de auxilio ,devido ás queimaduras provocadas pelo Sol e por o frio que caía nas noites insólitas que passavam aquelas pessoas que nos apareciam como surpresas
Faziamos entao uma viagem de 12 horas ate Erg Chebbi, que com mais contratempos iria atrasar a nossa tao esperada e desejada chegada ao deserto( Meca para todos os amantes do TT), por meio da viagem um dos carros começou a perder agua pelo radiador ,onde tivemos que parar , eram 01.30 da manha o frio era de regelar,foi entao que começamos a tirar o radiador enquanto outros faziam algo para comer...Chegamos entao por volta das 6 da manha a Erg Chebbi para podermos presentear um nascer do Sol com uma beleza indescritivel, foi assim que eu avaliei aquele presente do nosso planeta, caminhando ate á duna mais alta para poder "ter o mundo" aos meus pés... Nao de outra forma se nao fotografando conseguiria um dia com um milhao de palavras descrever estas imagens...



Todo aquele "sonho" fez com que nem, mesmo após uma viagem de 12 horas, sentissemos vontade de perder todo aquele espectaculo.


A inspecçao aos suzukis fez com que ficassemos a noite em merzuga, num albergue que fez recuperar todas as energias perdidas ate ao momento, onde tivemos direito a um banho para lavar a historia do corpo de uma semana desde Lisboa ate merzuga.Foi aqui que pudemos verificar as nossas pericias e nos divertirmos a conduzir nas areias de um deserto tao belo como o de marrocos

Era com indicaçoes de pessoas que fazem aquelas "pistas" de areia todos os dias que tomava-mos o nosso rumo em direcçao ao nosso objectivo da expediçao, Ouarzazate.E era por esses caminhos que atravessavamos aldeias que eram animadas pelo correr das crianças a acompanharem todo aquele cenario de jipes que faziam as suas marcas de historia na mente daquelas crianças, e que para nós era uma satisfaçao sermos recebidos de tal forma com o olhar atento dos mais velhos, levantando a mao em sinal de olá, e com os gritos e sorrisos das crianças...
Os nossos valores faziam-se avaliar perante tamanha grandeza e espaço, que nos abria as portas á nossa imaginaçao... naquele recanto do mundo, será que o tempo está parado? Poderemos nós ali ficar e nunca envelhecer? será que o sol brilha so para nós? Tantas perguntas que se faz no enorme silencio abafado pelo som da Natureza. Uma unica coisa nos tirava da "monotonia" de todo aquele silencio, a vontade de estarmos ali!





Foi nesse mesmo silencio que nos cruzamos com um grupo de franceses, tambem a disfrutarem da aventura de estar ali mas com um meio diferente, vinham de Paris em motos 4x4.Sao muitas as pessoas que se encontram ali desejando conquistar algo ou confrontando-se com elas proprias por nao saber porque onde nao ha nada , é o melhor lugar para estar.


A estrada ao fundo parecia afonilar com o céu, uma espécie de caminho directo aos deuses que se mostravam compreender com a beleza que nos faziam testemunhar, tudo parecia ser tao claro perante aquela grandeza que nós prefurando, iamos escrevendo a nossa historia com imagens e acontecimentos unicos, um mar de perguntas e ventos de palavras ja faziam tempestades nas nossas cabeças, porque estavamos ali? é dificil compreender o porque de um "sacrificio" que se confronta com as condiçoes pessoais de cada um... mas era preciso estarmos ali naquele momento e estavamos muito gratos de tal feito.
As estradas( caminhos) pareciam ser utilizadas, mas para que, e por quem? se estavamos tao longe de tudo, se pareciam ser caminhos so para nos fazer andar e andar para simplesmente poder andar, se alguem tivesse feito aquelas estradas porque nao teria feito so uma, num deserto de vida , que fosse directa a um destino proximo...
Mas a beleza estava na naturalidade e descontraçao de como aqueles caminhos estavam desenhados, no solo aquecido de dia por temperaturas extravagantes e arrefecido de noite por frios cortantes que nos faziam contrair perante aquele clima.






A Terra " era redonda" naquelas noites no meio do deserto, era de certo redonda!
O universo de estrelas que se faziam brilhar sem complexos , deliniava a circunferencia do nosso Planeta, parecia que conseguiamos tocar nas laterais , era uma visao tridimensional aquela quantidade de estrelas ,que pareciam cair do ceu.
As noites pareciam ser de um romantismo total com a Natureza sem termos de utilizar nada que fosse feito ou inventado pelo "homem" era tao natural!



Eramos recebidos á chegada, como se nos tivessem esperado aquele tempo todo desde que partimos ate ali chegar, por mecanicos que de motorizadas a pedais se punham ao lado dos nossos carros a convidarem para ir conhecer as suas oficinas e as fotografias de pessoas conhecidas que ja la tiham passado, pensei nesse momento se fosse assim em Lisboa, ...esperava-se ver uma cara nova e milhares de mecanicos de mota a convidarem para ir conhecer as suas oficinas. A procura ser grande faz com que nao seja preciso tal estafa, e ainda bem pois nao seria nada agradavel aquele comportamento em grande escala...

Mas ali precisa-se de trabalhar para comer. Lembro-me de um episodio de um dos nossos carros que teve problemas e que os marroquinos se disposeram a arranjar o carro a noite inteira , ofereçendo cha, para ganhar 60 euros ( 600 dirahms), cá o minimo que ouviria-mos seria " Isso é complicado so amanha, ou so segunda feira, e vai-lhe ficar caro pelo trabalho" , enfim, as necessidades fazem os custumes!

Chegavamos assim ao ponto mais a Sul da nossa expediçao Zagora por onde iriamos seguir para Ouarzazate( de onde estava como plano ser a cidade, objectivo), e era com grande contentamento que diziamos " metade ja esta" e as mesmas palavras se faziam soar vezes sem conta "Isto tem sido Fantastico, e as nossas maquinas conseguiram chegar ate aqui, isto é lindo".





Foi em Ouarzazate que nos sentamos civilizadamente a uma mesa e que pedimos tudo o que tinhamos direito, e trocamos ai as nossas ideias do que podiamos fazer e do que tinhamos feito para melhorar, ate ja se falava de futuras expediçoes, estavamos realmente animados com a nossa resposta perante aquela aventura toda.









E onde tambem fizemos as nossas compras de lembranças para ofereçer, giro é o aspecto de como se negoceia em marrocos, parece-me um ritual, procura-se o que se quer e sentamo-nos com uma caneta e um papel para nós e para o vendedor para colocarmos entao o nosso preço e ele o dele, nunca de forma alguma eles ficam satisfeitos quando se faz aceitar o preço certo dito por ele logo a primeira, gostam que se negoceie, é uma forma de demonstrar o apreço por aquilo que se vende.



Tambem aqui se revelaram as veias artisticas para o cinema.....

E foi no ambito desta descoberta de duas esperanças no mundo do cinema que mais tarde viriamos a visitar um dos maiores estudios, onde foram filmadas varias obras como "Paixao de Cristo", " Gladiador" , "Asterix", " sete anos no Tibete" e por entre outros....
Foi bom estar ali perante cenarios e objectos que nos fizeram acompanhar nas nossas mentes durante anos e que ainda acompanham como o "Asterix"...



Fui Tutankhamon, por instantes perante aquela imagem surreal que com a ajuda do ceu nao foi preciso grande esforço imaginario, estava eu desta vez por dentro das telas que levaram milhares de pessoas a viver aquelas historias, era uma sensaçao unica!
As maquinas nao se faziam deixar de disparar de encontro aquelas imagens que jamais poderiam ser trocadas por palavras, os nossos olhares radiavam luz na escoridao do nosso conhecimento sobre Africa, um continente com milhoes de maravilhas por explorar.


Faziamos agora a nossa historia numa visita de uma aldeia que se "afogava" nas cores da terra, mas com uma arquitectura divinal, onde as cores verdes das palmeiras e as vestes coloridas dos locais faziam a vida aquela pacata aldeia, que estava cheia de historias por contar, muitas filmagens do gladiador ali tinham sido feitas. A cidade era abençoada de uma vista lindissima sobre o grande Atlas que se fazia mostrar imponente perante marrocos.


Tinhamos agora que tomar decisoes fortes sobre o caminho a seguir em relaçao ao tempo disponivel que após tanta beleza era limitado, a vontade de conhecer tudo fazia-se mostrar nos rostos, tristes, quando se ia descobrindo as limitaçoes do tempo. Mas o conhecimento de que iriamos voltar em Setembro de 2008, para conheçer mais um pouco, anestesiava a nossa tristeza ja desenvolvida por todas aquelas descobertas que tinham sido feitas ate ao momento.
E era assim que seguia-mos viagem em direcçao a nossa proxima cidade destino, Marrakesh!



Seguiamos para Marrakesh, mais uma vez entao, fora de estrada. Tinhamos pela frente uma das "pistas" mais puras para o Todo Terreno dentro da nossa expediçao, nao só no grau de dificuldade mas tambem na organizaçao que tinhamos de improvisar para numa estrada unica onde so cabia um carro, termos de arranjar espaço para outros carros que vinham em sentidos diferentes ao da nossa caravana, era onde se perdia mais tempo, e para uma caravana, por questoes eticas e de segurança, se manter unida, frente aquelas diversidades, nao é algo facil.

Tambem uma "pista" que passava por povoaçoes que o tempo nao parecia querer levar consigo, de certo era a mesma forma de vida que se podia encontrar á centenas de anos atras. Para aquelas povoaçoes so sentiam o tempo mover-se atraves dos turistas e das tecnologias que acompanham os mesmos, se nao fosse isso arriscariam a ter um choque cultural, se um dia, apos tantos anos, passassemos nós ali com os nossos carros cheios de tecnologia.

Mas uma alegria juntamente com uma forma natural de "pedinchar" , naquelas crianças que acompanhavam a caravana, durante quilometros, dava uma cor natural aquelas povoaçoes.Os seus acenos faziam com que nos distraissemos a agradecer aquelas crianças todas.

Eramos obrigados a parar a meio do percurso devido a um arranjo no meio da via, havia obras na estrada, tres homens que olhavam e um que com uma pá tapava um buraco. Parecia ser tao ridiculo aquela prestaçao daqueles homens perante uma estrada cheia de buracos onde era limitado o acesso a veiculos que nao fossem Todo Terreno, mas a caravana assim respeitava por meia hora aquela "barricada" de homens que faziam o seu trabalho.

As casas de cor terrea ,que se confundiam com a terra, eram assim coloridas por tapetes que secavam ao sol, dando cores variadas com o brilhar do sol nos tecidos.







Eramos acordados por vozes que que saíam de altifalantes virados para toda a cidade, os muçulmanos seguem as rezas a risca, e assim acordavamos com sons parelizantes , que davam uma certa beleza ao ouvir, fazia-nos uma integraçao automatica naquelas culturas tao diferentes das nossas... Estavamos assim na "cidade vermelha" Marrakesh.
Partimos de manha, numa excurçao improvisada, direito ao centro de marrocos, visitar o mercado e a praça central, a minha tao esperada visita á cidade tao falada ao longo da minha vida, alias de muitas vidas, pois marrakesh é muito publicitada tal como Casa Blanca, mas a desilusao abarcava em mim, a cidade nao tinha nada de mais se nao um mercado enorme e uma praça onde se fazia de tudo para receber algum dinheiro em troca, desde cobras a ratos que faziam animar as crianças.
Na realidade nao era a cidade que era uma desilusao , mas sim a imagem que eu levava dentro de mim em relaçao aos seus verdadeiros valores, era uma cidade respeitavel em relaçao ao nosso "cardápio de cores" que vinhamos desenvolvendo na nossa expediçao.

A desorganizaçao, organizada, fazia com que nas estradas todos aqueles carros e motos nao batessem, era um pandemonio toda aquela visao de conduçao nas estradas de marrakesh. Tinhamos de ter a atençao redobrada pois nós é que estavamos mal ali com o pouco de disciplina que temos.
As especiarias davam cores aquelas ruas do mercado , o cheiro a pele caracterizava o ambiente ali vivido, e vozes que soletravam, "Portoguêz", faziam as apresentaçoes aqueles vendedores do mundo. Uma cidade acima de tudo cativante pelo seu mercado.






Iriamos acabar por jantar numa pequena aldeia onde umas lindissimas cascatas se faziam ouvir, como cartao de visita, por entre aquelas ruas cheias de misterio, acabariamos por ir dormir todos num quarto só , organizado por um dos locais que amavelmente nos acolheu por aquela noite que estavamos de passagem para a cidade de FES, mas antes claro uma musica de instrumentos de todos os generos, lembro-me de um tocar com uma garrafa de coca cola, junto a uma lareira , fez assim o acabar da nossa noite. No dia a seguir iriamos visitar as cascatas, algo que so mesmo a Natureza o poderia construir, aquele som relaxante e ao mesmo tempo agressivo da agua a cair, fazia todo aquele cenario parecer magia.


Mas tinhamos uma viagem para prosseguir......








Fes uma cidade entre muralhas "labirinto encantado abrigado do tempo", a antiga cidade murada de Fes é a maior cidade medieval viva do mundo, uma das maiores medinas de Africa, suas ruas sao unicas,estreitas demais para tráfego, a não ser de mulas., portas de casas que pelo tamanho identificam a riqueza das familias que nelas vivem, quanto maior é a porta maior é a riqueza e identifica tambem o tamanho da casa.
É nela que tambem existe as tinturarias, onde se trata a pele dos animais e da-se-lhes as cores, para depois sairem para o mercado em forma de malas, casacos e sapatos.

Nas titurarias o seu cheiro é insuportavel devido aos animais mortos que se fazem esperar para se retirarem as peles e devido aos quimicos aplicados em tanques para tratamento das peles, onde aos turistas dao folhas de hortelã para fazerem a visita. Hortelã essa que e muito usada em marrocos para ser colocada no chá de menta.
Fes é um centro cientifico e religioso, onde muçulmanos e cristaos de toda a Europa se juntam para estudar.

A nossa expediçao estava mesmo no fim, faziamos agora o caminho de volta para chefchuoen e de onde partiriamos para Beja para reencontrar Portugal e festejar assim a nossa vitoria.
















Os festejos eram em grande, onde a sintonia de todos fazia reviver os momentos melhores e os mais dificeis,a alegria de estarmos ali com a tristeza de ter acabado todo aquele sonho, propocionava um ambiente de vencedores, de aventureiros que marcaram historia atraves dos Suzukis que assim fizeram mais uma expediçao, avaliavam-se tambem as marcas deixadas nos suzukis por aquelas terras que tiveram um nome nas nossas vidas durante 15 dias MARROCOS.......





Mas nem mesmo na chegada a casa tudo estava resolvido ainda os ultimos problemas eram resolvidos numa paragem forçada....




FIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!